terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ruptura










Desperto!
E num átimo, você aqui
Presos no buraco do fundo

Teus olhos me seguem verdugos
Toco a tosca casca no escuro

Escuto o eco seco do oco
OCO Oco oco

Escalo a tua cara marcada
De falsa alegria barbada

Teu marfim cariado se espalha

Lâmina de espada afiada
Dobro a língua até o duro palato
E cavo degraus para o alto
subo subO SUBO

Me solto de espessas melenas

Ouço sapos, insetos, serpentes
Agora sem sustos e assombros
Lembrança vulgar do teu rosto
Epitáfio de gritos roucos
Durmo herói, acordo louco
Fujo...c o r r o...s u m o


Pintura: Um par com suas cabeças cheias de nuvens, Salvador Dali 1904 - 1989 (óleo sobre tela, 1936)

23 comentários:

  1. OI ANA!
    NESTE DESABAFO DE TUA INSPIRAÇÃO,
    UMA FUGA DA REALIDADE E UM ROMPIMENTO COM A NORMALIDADE...
    LINDO TEXTO.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com/

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  2. Isso que chamo de escalada intimista!
    Algumas pessoas são um casarão assombrado por dentro, cheio de morcegos e espantalhos...
    Como sempre acontece Ana, quando te leio, fico sem ar!

    Um beijo


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  3. Perfeito o ritmo do texto.
    Gosto.
    Um grande bj

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  4. Minha querida

    Um poema forte e profundo...soltando os infernos que por vezes nos habitam.

    Beijinho com carinho
    Sonhadora

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  5. Bom dia!
    Lindo poema, com muita profundidade,palavras que me cativa.
    Grande abraço
    se cuida

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  6. A pintura é linda! E a poesia é muito intensa e me passou muita agonia!
    Parabéns!

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  7. feridas não cicatrizam
    feridas antigam reabrem
    e o menino da pólvora
    bum!

    onze palavras

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  8. realmente não sei o que dizer. Só sei te dizer que consegui verificar e senti-lo de várias formas, maneiras.
    um abraço, tenhas um lindo final de semana.

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  9. É sempre uma delicia ler-te!...

    Beijos!
    AL

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  10. OLÁ ANA!

    SEJA QUAL FOR O EMPREGO, O RESULTADO DA AÇÃO ALÉM DE ROMPER, TRAZ O NOJO, QUE PODE SER APLACADO COM A PROFUNDIDADE (DOÇURA) DO POEMA.

    PRAZER EM LER,ABRAÇOS.
    PAULO

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  11. E viro herói ao ler tão profundos poemas, eu que era louco me curo com as palavras e enlouqueço um pouco mais do que era.

    Nós somos os homens ocos
    Os homens empalhados
    Uns nos outros amparados
    O elmo cheio de nada. Ai de nós!
    Nossas vozes dessecadas,
    Quando juntos sussurramos,
    São quietas e inexpressas
    Como o vento na relva seca
    Ou pés de ratos sobre cacos
    Em nossa adega evaporada

    Lembrei desse trecho, de T.S.Eliot

    beijoss

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  12. Lindo poema.A imagem do pintor surrealista Salvador Dali caiu como uma luva para as suas palavras de inconsciência.

    Beijos!!

    Fernanda

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  13. bela escrita direta,profunda e reflexiva...sem palavras.
    http://akbcapensante.blogspot.com/
    se der passa no meu blog!

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  14. Grande como sempre...
    Amei ler um poema teu!

    Carinhos de leitor atento.

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  15. Espetáculo!
    Genuína você, sempre me surpreende.

    Falsa alegria...

    O brasileiro é alegre, mas não é feliz. (Renato Russo)

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  16. Ler-te é um doce fascinio!...


    Beijos,
    AL

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  17. O meu pranto escondeu as sílabas de uma palavra
    O meu céu não precisa de Sol para ser azul
    A minha emoção transbordou nesta clara manhã
    Tal como as incontidas águas que correm para sul

    Este Inverno que o meu querer instaurou
    Tem o rosto coberto por densa bruma
    Tem a força de todas as marés esta emoção
    Que devolvi hoje à espuma

    Doce beijo

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  18. Olá Ana!
    Faz tempo que não passeava por aqui, espero que estejas muito bem!
    Poema profundo!
    Um maravilhoso final de semana para vc, que Deus a cubra com seu manto protetor cheio de amor e que Jesus seja sempre seu maior amor!
    Comm carinho
    Marly

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  19. Minha serpente branca,

    Vim sorrir à luminescência de teu olhar cor-de-aurora.

    Desenroscastes do cabo de minha espada.
    Agora, deslizas tua pele pálida sobre este bosque de gárgulas, evanescendo na luz fantasmagórica dos anoiteceres da alma. Enquanto te afastas, observo-a, espalhando jatos de luz sobre as trevas. Matadores obscuros a precedem. Disparam balas contra o nada. À distância, os ecos dos revólveres gritam a própria impotência. O que um dia foi procura, agora é ruptura, ainda que indesejada. Caem à sua volta, num estado letárgico de desistência. A perda foi necessária. Era preciso ir além dos despesperos para encontrá-la. Colo o nariz à terra e a farejo, como se fosse uma fera e teus versos, a minha selva.


    Ana, prazer em revê-la.

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  20. Olá Ana,

    Lindo!!! Fico sem palavras, é assim quando a gente se depara sempre com algo que nos surpreende a cada leitura.

    Uma páscoa cheia de paz.

    Bjus
    Elaine

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  21. Belo trabalho poetico Ana... Encantada com seu espaço. Abraços e boa noite!

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